sábado, 8 de outubro de 2016
Tim Burton e o "problema" da falta de etnia em "O Lar das Crianças Peculiares"
O novo filme de Tim Burton estreou no ultimo dia 29 de setembro, e vem dando o que falar na mídia. Um dos motivos para esses holofotes, é a suposta falta de diversidade étnica no longa.
Burton, segundo a mídia das massas, "perdeu a capacidade criativa, e desde Sweeney Todd não acerta a mão atrás das câmeras". Bem, vamos aos fatos.
1- O livro de Ramson Riggs
Este episódio da falta de etnia no filme começou quando um repórter fez a retórica pergunta: "Por quê não tem nenhuma criança negra em seu filme?" Burton foi bem claro: o período e o local onde ocorrem a história neste primeiro momento torna inviável a presença de personagens negros.
Para quem ainda não sabe, "O Lar das Crianças Peculiares" é uma adaptação do livro "O Orfanato da Srta Peregrini para Crianças Peculiares", do autor norte-americano Ramson Riggs. Eu li o primeiro livro, e digo: não existe personagens negros nesta primeira parte da história. A trama acontece especificamente no dia 3 de outubro de 1943, e para quem estudou História, deve se lembrar que de 1939 à 1945 ocorreu a Segunda Guerra Mundial. O ano de 1943 foi um dos ápices do que os nazistas chamavam de "higienização da Europa", que se tornaria a grande Alemanha com que tanto sonhavam. Essa higienização era nada mais do que expulgar da Europa todo e qualquer indivíduo que não fosse considerado "da raça ariana". Muitos negros que viviam no continente, ou morreram nos campos de concentração ou fugiram para outros continentes, incluindo a América.
As crianças peculiares, em sua maioria, foram abandonadas pelas famílias, ou sequer tiveram família, o que já mostra claramente uma das muitas formas de preconceito. O personagem Millard nem mesmo cor possui, visto que trata-se de um garoto invisível. Tim Burton não errou na adaptação. Ele foi fiel a trama original, criando todos os traços dos personagens de acordo com o que lemos nos livros. Ele ainda ousou e colocou Samuel L Jackson como um personagem que, até esta parte da história, não existia.
2- Problematização não garante representatividade
Muito se fala em "representatividade" hoje em dia. Eu concordo que seja necessária, mas de forma coerente e com embasamento. Vi muitas pessoas "revolucionárias" dizendo que iam boicotar o filme por falta de representatividade. Muitos, sequer, sabem que o filme é uma adaptação de um livro, e que no caso, o verdadeiro culpado por esta "falta de representatividade" é o autor, e não o diretor. Na pressa em querer problematizar tudo, as pessoas tem deixado no fundo do guarda-roupas algo essencial para tudo na vida: o senso. Quem leu a série dos Peculiares sabe que não há ausência de personagens negros na trama, mas que na verdade eles entram na trama à partir do segundo livro. Burton ainda colocou um personagem (Enoch) que na trama é branco, para ser moreno e um pouco mais velho. Para problematizar, acusar e por fim boicotar o filme é preciso conhecer a história e, principalmente, saber do que se está falando.
Eu não acho que este filme seja a obra prima de Tim Burton, mas com certeza conspirar para o diretor ficar com fama de "racista" é algo muito medíocre. Não temos um filme com falta de representatividade. Temos um filme fiel ao livro do qual foi adaptado. Apenas.
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