terça-feira, 16 de maio de 2017

MEUS DEZ DISCOS DE METAL FAVORITOS

Nem só de goth music vivem os góticos. Não vivemos presos numa ditadura onde somos impedidos de ouvir aquilo que nos faz bem de alguma forma. Aqui, listo dez dos meus discos favoritos de metal. O metal em si é um gênero do qual eu não sou fã, pois as poucas vertentes que ouço não possuem muita gama de bandas. Contudo, aqui estão os discos que me marcaram bastante durante diversas fases da minha vida.


10- DEATHSTARS- Termination Bliss

O segundo álbum da banda sueca foi lançado há exatos onze anos atrás, pela Nuclear Blast. O álbum é, para mim, uma reunião bem amistosa de The Sisters of Mercy, Cradle of Filth e Dimmu Borgir, com influências aqui e acolá do
Rammstein e do Metallica. Gosto muito de todos os materiais da banda, até então, por que além de produzir um som diferente que mistura diversos elementos diferentes, eles tem letras muito inteligentes. Além disso, foi uma das poucas bandas que fez eu me sentir a vontade sendo LGBT na cena metal. Este álbum mistura vários conceitos e temas, e fala sobre guerra, mas uma guerra mais interiorizada. Gosto muito de Blitzkeig. 

9- WITHIN TEMPTATION- The Heart of Everything
"The Heart of Everything" é o quarto álbum da banda holandesa. Foi lançado em 2007, ano que os descobri através da indicação de um amigo virtual. Este álbum fala sobre o que é importante na vida, e se as nossas escolhas correspondem aquilo que realmente precisamos. Fala sobre sacrifícios emocionais e religião de uma forma muito sentimental. Destaque para a faixa "Our Solemn Hour", minha favorita.

8- GHOST- Infestissuman
Esta banda, vinda da Suécia, divide muitas opiniões. E há quem realmente os odeie. Pessoalmente, até o presente momento, gostei de tudo que ouvi. Infestissuman é o segundo álbum do grupo, e confundiu ainda mais as pessoas. Se não fossem pela temática obviamente satânica, este disco inteiro poderia ser tocado em qualquer rádio indie. "Ghuleg/Zombie Queen", minha faixa favorita do álbum, poderia ser exibida aqui no Brasil em rádios como Mix e Jovem Pan, se não fosse pelos sussurros luciferianos ao fundo da música. "Secular Haze" tem o mesmo tom sombrio de música pop do Depeche Mode e outros grupos de synth-pop. E é aí que reside a diferença da banda. É uma banda nova com gosto de velharia. Recomendadíssimo para quem gosta de metal com influencia pop (bem ao estilo Led Zeppelin e Black Sabbath) e performance teatral.

7- KATATONIA- Viva Emptiness
O Katatonia não é apenas uma das minhas bandas de metal favoritas. Eles tiveram uma carga emocional enorme na minha adolescência, e me ajudaram em diversas fases. "Katatonia" é um estado psicológico bastante associado a esquizofrenia e o tema, de certa forma, está bastante presente na disc da banda. O Doom Metal é o meu gênero de metal favorito, e dentro deste gênero, o Katatonia é a melhor banda na minha opinião. Foi muito difícil escolher um álbum favorito, por que eu também amo o Great Cold Distance. Acho que escolhi o Viva Emptiness por que minha música favorita (Evidence) está neste álbum. Recomendado para quem quer ouvir doom pessimista com uma boa carga de melancolia, que beira a depressão.

6- EVANESCENCE- Fallen
Amy Lee! Quem nunca se pegou curtindo uma bad ouvindo uma música do Evanescence, que atire a primeira pedra. Meu primeiro contato com o metal se deu nos meus 11 anos, época de lançamento do Fallen, e a primeira música que ouvi foi "Everbody's Fool", na MTV. E aqui está um tipo de álbum que você escuta mil vezes e não consegue pular nenhuma faixa. É curioso... hoje em dia eu me pergunto como foi que o Evanescence conseguiu tantos fãs ao redor do mundo, por que as letras deste disco são claramente intimistas e pessimistas, expõem um sofrimento bem conturbado da mente. Tourniquet inclusive fala quase que abertamente de suicídio. Por muitos anos eu ouvi Evanescence, e esse disco era uma fonte inegável de consolo para a minha adolescência. É uma pena que um material tão gostoso como este nunca mais tenha sido lançado.

5- DIMMU BORGIR- Abrahadabra
O Dimmu Borgir não foi a primeira banda de black metal que ouvi. Comecei com os clássicos: Mayhem, Burzum, Immortal, Celtic Frost. Mas a vida não foi mais a mesma para o John depois de assistir uma abertura de show que o Dimmu fez para o Cradle of Filth, quase 20 anos atrás. O que me conquistou mesmo foi a influência de música clássica que eles tinham. Eu já tive muitos álbuns favoritos, cada um deles remetem a períodos diferentes da minha vida. Mas, curiosamente, Abrahadabra se tornou meu favorito, e este é o álbum que a maioria dos fãs odeiam. Minha opinião: a sonoridade do som é épica. É um reflexo muito verdadeiro da fase conturbada pela qual a banda passou desde a saída de Mustis e Vortex, em 2009. Shagrath entregou um disco diferente. Um disco épico pela originalidade e sinceridade com o qual foi feito. E é exatamente por não lembrar nenhum outro material já produzido pela banda que, talvez, eu tenha gostado tanto deste disco em particular...

4- NIGHTWISH- Occeanborn
O melhor álbum do Nightwish é também o meu quarto favorito dentre todos. Este álbum fala sobre as percepções de mundo de todos os integrantes da banda naquela época. Fala também sobre os rompimentos da vida. É um álbum para se apreciar sozinho. Um disco que traz reflexões. Sleeping Sun não é apenas a melhor música do disco, mas também uma das melhores de toda a trajetória da banda. Destaque para Walking in the Air também. O único trabalho após este disco que prestou foi o "Bless the Child". Depois, virou algo que não desperta nenhum sentimento nos ouvintes.

3- LACUNA COIL- Comalies
Mais um caso de um excelente trabalho que deu origem a outros trabalhos com qualidade duvidosa e ruim.Quem compara o Lacuna Coil de hoje com o deste álbum vê, logo de cara, a queda brusca na qualidade das músicas da banda. Comalies, de 2002, é um disco e tanto. Ele combina agressividade, sentimento, melodia, peso e melancolia de uma maneira que só vai se repetir uma última vez no álbum Karmacode, de 2006. Dá saudade de lembrar deste tempo tão vindouro do Lacuna Coil...

2- EPICA- Design Your Universe
O Épica é a única banda que conheci, nos auge dos 14 anos, época que Divine Conspiracy estava estourando na Europa, que não perdeu nada da essência em todo este tempo. O questionamento pode ser o alicerce que sustenta a banda todos esses anos, e apesar de não ser o foco, também está presente em Design Your Universe. O conceito deste álbum gira em torno da física quântica, que diz provar que tudo está conectado à um nível subatômico, onde podemos influenciar a matéria a nossa volta com a força do pensamento. Além disso, a banda questiona ainda sobre a real finalidade das religiões e da devoção à culturas antigas. Eu me lembro muito bem do dia em que ouvi este disco por inteiro. Fiquei muito tempo pensando em tudo aquilo que estavam cantando. Não é um disco cansativo nem monótono. É empolgante, e lembra muito uma espécie de diálogo cantado, com questões e sugestões (nada agradáveis)de respostas. É impecável. É imperdível. Nota máxima para este álbum.

1- MARILYN MANSON- Holy Wood
O capítulo final (e primeiro) da trilogia invertida do Anticristo é o meu favorito por ser sofisticado, esdrúxulo, pessimista, realista, MUITO intimista e com muitas letras de cunho político e filosófico. É aqui o desfecho de uma era da incrível banda Marilyn Manson. Tudo depois deste álbum é conversa fiada. Destroça nervos e corações, com letras muito pesadas. Um soco no estômago de toda a sociedade da época, que culpou a banda pelo massacre de Columbine. Até este disco, Marilyn Manson era um "mal" necessário. Hoje... bem, vocês já sabem.

E aqui está os meus dez discos de metal favoritos. Todos pertencentes a um pedaço desta vida de quase 24 anos deste autor que vos escreve. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

GÓTICO x GÓTICA SUAVE


Ao longo de seus mais de trinta anos de existencia, a Subcultura Gótica já sobreviveu há dezenas de modismos. No próprio inicío da cena, por volta de meados dos anos 1980, muitas coisas eram chamadas de góticas apenas por possuir um visual mais sombrio. Madonna, em seu video-clipe "Into the Groove", abre espaço para jovens "new-romantics" dançarem num clube, numa das cenas do filme "Procura-se Susie" Isso foi importante para a cena, visto que o new-romantic era, digamos, o primeiro passo sombrio para se conhecer a subcultura Gótica, mas por outro lado vemos como ser dark estava em alta, visto que a maior popstar da época usou a imagem obscura dos new-romantic em cenas de seu clipe e filme. 
Adeptos da estética Deathrock com toques góticos
no maior festival da cena mundial: o
Wave Gotik Treffen, Alemanha

Ao longo de toda a década de 1990, diversas empresas se apropriaram da imagem gótica para promover seus produtos, inclusive a Vodka Smirnoff. 
Com a alta da internet e das centenas de plataformas e redes sociais, tendências são lançadas diariamente no mundo virtual. Uma dessas tendências foi o tal "gótica suave", que surgiu em meados do final de 2014. Esse "estilo" prega um visual "gótico" mais colorido e veranesco (palavra que, creio eu, acabei de inventar), por assim dizer. É comum o uso de chapéus grandes, óculos de sol e qualquer coisa preta no visual. Meu caro leitor, minha cara leitora, tenho algo para lhes revelar: este estilo não condiz com nenhum dos visuais estéticos da subcultura Gótica. O tal do gótica suave, assim como os new-romantic do clipe da Madonna, assim como as góticas das propagandas dos anos 1990, nada mais é do que um modismo. 
Segue abaixo um trecho retirado de uma matéria sobre o tal do Gótica Suave, no site "Modices":

"(...) E quando virou moda?

Foi só no final dos anos 70, começo dos 80 que a subcultura gótica como nós a conhecemos surgiu. vinculada a estilos mais pesados de música como o pós-punk, rock gótico, o death metal, , entre muitos outros. Essa subcultura era caracterizada por um certo niilismo e visão de vida romântica, porém sombria. De um moda geral, o gótico se associa a tudo que é obscuro e soturno.
Exemplo do "estilo" gótica suave

Algo muito importante a se notar sobre essa nova tendência é que ela se apropria de referências estilísticas de muitas subculturas (não só do gótico mais ‘tradicional’) e as torna mainstream. Ela mistura e subverte sua linguagem original. Não sei se isso é exatamente uma crítica, apenas mais um exemplo da aplicação do pós-modernismo na moda. É triste ver elementos de subculturas perdendo seu valor original, porém não existe avanço sem perdas. O mais legal da moda é: nada fica parado, preso a um pedestal"

Ou seja: modismo puro. O gótico, assim como o punk, está intimimamente ligado a "não-aceitação" do mainstream. O gótico é underground, e como tal nada tem de semelhante com o mainstream. Nossa estética não segue padrões, e mais importante, não é uma tendência passageira. Nossa estética é parte fundamental de um conjunto que reflete o nosso interior, nosso estado crítico, é a vestimenta da nossa mente. Não usamos preto para estarmos elegantes ou para ditar moda. A estética gótica é um dos alicerces que sustenta a Subcultura Gótica há três décadas. E não iremos nos render ao mainstream agora.
Gótica tradicional
A gótica suave utiliza de elementos ditos "góticos" para promover uma moda. Isso torna-se um tremendo descaso com a subcultura Gótica, que mais uma vez vê coisas que são importantes para nós, jogadas no furor "fashion". É importante não alimentarmos essas tendências, de modo que elas sejam extremamente passageiras e que deixe a nós e a nossa cena em paz, na penumbra do underground, onde é o nosso lugar!